quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Manel da Galinha

Salão do Manel da Galinha
Comer é um ritual que ultrapassa o simples ato de levar a comida à boca, mastigar e engolir. Às vezes é um processo que pode levar anos, como minha ida a Tinguá no feriado.

A primeira vez que estive nesse bairro de Nova Iguaçu foi a trabalho, e um local me levou para comer uma famosa galinhada num bar beirando o rio. Isso em 2010, desde então vinha nutrindo o desejo de retorno sem compromisso profissional, fato consumado no feriado de Nossa Senhora de Aparecida.

A viagem saindo do Centro do Rio é longa: metrô até a Pavuna e ônibus até Tinguá, que por quase duas horas passa por São João de Meriti, Belford Roxo e seus bairros pobres com ruas esburacadas e sem asfalto, e Nova Iguaçu, cruzando por baixo o Arco Metropolitano. Como eu disse, comer é uma experiência completa que muitas vezes exige sacrifícios.

Felizmente encontrei meu amigo a anfitrião, vendedor de coco e mel de abelha nervosa na praça, que me indicou o caminho até o Manel da Galinha. No limite entre a Reserva Biológica Federal de Tinguá, Patrimônio da Humanidade pela Unesco e, que além de Nova Iguaçu, abrange outros cinco municípios da Baixada Fluminense, corre um rio que oferece suas limpas águas aos clientes dos diversos bares à sua margem.

Por apenas vinte reais, minha digníssima e eu comemos até estufar a barriga e rezar por uma rede. A galinhada, servida apenas às segundas e quartas, é feita com animais comprados em aviários locais e servida com arroz e feijão mulatinho com maxixe. A carne é um pouco mais dura do que aquela comprada no supermercado, mas compensa em sabor.

O maxixe é o fruto de uma trepadeira muito consumido no nordeste, com galinha e no feijão. Parece uma mamona gigante e ovalada que, cozido e fatiado, também pode ser acrescentado na salada. Não é muito utilizado no Rio, tendo sua venda concentrada em supermercados e quitandas próximas de núcleos nordestinos. Seu sabor é suave, neutro, meio como o chuchu.

Sem cerimônia, utilizando as mãos, comemos e roemos os ossos, lambemos os dedos e limpamos a boca com o braço, regando tudo com cerveja. Para não dormir na cadeira, um banho no rio.

É um lugar popular e familiar, com muitas crianças correndo e pulando nas águas geladas. Muitos preferem levar seus farnéis. A única coisa que me incomodou foi a música alta tocando funk e pagode.

Galinhada do Manel da Galinha, em Tinguá

Galinhada do Manel da Galinha, em Tinguá

Placa do Manel da Galinha

Piscina natural

Mesas e cadeiras no rio

São aproximadamente 15 minutos de caminhada da praça de Tinguá até o Manel da Galinha. Não vou dar instruções de como chegar, se quiser pergunte ao Seu Nonô, na barraquinha de coco, ou me manda um e-mail. Recomendo ir parando nos outros bares ao longo do rio, como o Cris Bar, com música e ambiente mais agradável, no Poço da Caixa D'água.

Cris Bar

Cris Bar

Serviço:
Manel da Galinha
Galinhada para duas pessoas: R$20 (valor de outubro de 2016)
Como chegar: pergunte ao Seu Nonô na barraquinha de coco na praça de Tinguá.

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