quinta-feira, 6 de agosto de 2020

O blog virou canal no Youtube

Primeiro vídeo no ar: precisamos falar sobre Nutella. Curta o canal

terça-feira, 28 de julho de 2020

Uma postagem pro inferno

A primeira vez que entendi a necessidade do brasileiro em acreditar em forças sobrenaturais para manutenção do cotidiano foi quando prestei serviços para a Telemar. Além do trabalho dos engenheiros, só mesmo o trabalho de entidades espirituais fortíssimas para fazer com que você tire o telefone do gancho e ele te permita falar com alguém em outro lugar.

Ainda hoje acredito que todos os dias de manhã um caboclo bafora fumava de charuto naqueles painéis para permitir que as ligações aconteçam.

Em nada me admira a Prefeitura do Rio fazer contratos com o Caboclo Cobra Coral. Só mesmo um ser de luz, muito evoluído, para não ter ressentimento contra uma população que literalmente exterminou seus antepassados para, ainda assim, dedicar um tempinho da sua existência para nos livrar de desastres naturais. Na boa? Se fosse comigo eu deixava era todo mundo morrer afogado.
Caboclo Cobra Coral
Escrevo isso para falar que ainda não estou acreditando que um cientista enviou dez amostras concentradas de coronavírus para diferentes laboratórios do Brasil por Sedex. É ou não é o prelúdio do apocalipse?

Se eu fosse o responsável pela postagem, meu ateísmo ia sumir mais rápido do que antivax correndo para fila de vacinação do covid. Eu ia ajoelhar na frente da agência dos Correios, acender 20 velas e rezar para todos os deuses conhecidos, praticamente uma cena da Porta dos Fundos.

Cada dia que passa eu tenho mais certeza que o fim do mundo vai começar no Brasil.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Quando surgiu a fome no Brasil?

Pensa rápido: quando começou a fome no Brasil?

O racismo e a xenofobia marcaram a história da humanidade, é nosso mito fundador. Assim como hoje existem várias raças de cachorros, já existiram várias raças de seres humanos que conviveram no mesmo período e território, e todos eles foram exterminados por nós, os sapiens, não apenas por uma disputa de recursos, mas por serem grupos diferentes dos nossos.

Esse genocídio, obviamente, não se deu sem que antes pudéssemos nos divertir um pouco e trazemos em nosso DNA a herança de cruzamentos sexuais com os neandertais entre outras famílias de humanos.

Avançando um pouco, passamos pelas Cruzadas, nas quais cristãos combatiam contra os infiéis, a colonização das Américas e da África, Holocausto, Guerra Fria entre outros milhares de conflitos que no fundo se resumem ao nós, superiores e melhores, contra eles, hereges, impuros.

O racismo é a base de todos os nossos problemas, inclusive a fome, que chegou ao Brasil nas caravelas que cruzaram o Atlântico.

Os povos tradicionais tinham na guerra o seu propósito, o constante objetivo de eliminação de outros grupos fomentava todo o sistema de organização política indígena. Entretanto, não há registro de fome neste período, e havia um certo respeito no processo bélico.
A máscara de flandres tinha o objetivo de impedir que negros comessem e bebessem
O ritual antropofágico, descrito em detalhes por Hans Staden, mostrava que o inimigo a ser devorado muitas vezes convivia anos na taba adversária, compartilhando das mesmas refeições e até casando com mulheres locais.

A limitação ao acesso aos alimentos no Brasil começou com a escravização nativa e africana feita pelo homem branco. A máscara de flandres, fixada na cabeça do cativo, tinha objetivo de impedi-los de ingerirem alimentos e bebidas.

O racismo é a base do capitalismo, assim como foi a base de todos os outros sistemas antes dele, e deve ser nossa pauta principal de luta.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Rio: monumento à tortura

Outro dia escrevi sobre a forca que existia na Praça Mauá e uma amiga comentou que nunca pisaria ali. Infelizmente andar no Rio é andar por um cemitério indígena e negro, praticamente cada uma das nossas esquinas tem um histórico de tortura e execução.

E nem adianta ficar em casa. Em 1996, ao fazer uma reforma residencial, uma família encontrou ossadas de escravos recém chegados ao Brasil. Eles moravam, literalmente, em cima de um cemitério e hoje esse espaço é o Instituto do Pretos Novos, local de visitação obrigatória para se saber como esse país foi erguido.

Existiam mais dois outros patíbulos na região: um na esquina da Avenida Passos com a Rua Senhor dos Passos, onde Tiradentes foi executado, e outro no Largo da Capim, Rua dos Andradas, demolido para dar passagem à Avenida Presidente Vargas.

Vale citar uma antiga tradição portuguesa trazida para o Rio, a lúgubre procissão dos ossos. Na noite anterior ao dia dos finados, a Irmandade da Misericórdia, com sede na Santa Casa (Rua Santa Luzia), vestida com capas pretas e sob a luz de tochas, punha-se em marcha pelas ruas recolhendo corpos pendurados nas forcas e demais cadáveres que não tinham direito a uma sepultura, descartados ao lado dos patíbulos, para um enterro cristão no cemitério do hospital.

Em 1498, o Rei Dom Manuel I permitiu que a Irmandade, todo dia primeiro de novembro, recolhesse os ossos dos justiçados para dar-lhes sepultura. 

Ponta do Calabouço

A vista ao decolar ou pousar no Santos Dumont é deslumbrante, mas muita gente não sabe que pertinho da atual cabeceira ficava a Ponta do Calabouço, uma repartição pública que tinha como objetivo castigar escravos, já que seus senhores estavam proibidos pelo Estado de infringir eles próprios as punições nos cativos.

Mapa do Largo do Capim. A rua São Pedro virou a pista da direita e a Rua do Bom Jesus a da esquerda da Presidente Vargas (fonte)
Comércio de escravos

A poucos metros da minha casa fica o Observatório do Valongo, campus dos cursos de astronomia da UFRJ. Um lugar incrível com diversas atividades para a comunidade, como observação dos astros, palestras e cursos.

Um de seus telescópios, disponível para visitação, ajudou a mapear o pouso do homem na lua.

Mas o lugar inicialmente funcionava como sítio de engorda dos escravos recém chegados da África. É muito provável que o caminho que eu faço até o trabalho, pela Ladeira do Valongo, seja o mesmo percorrido pelos africanos depois de desembarcar no Cais do Valongo, tombado recentemente pela Unesco por ter sido o porto que mais recebeu escravos no mundo, aproximadamente um milhão de pessoas chegaram por ali para realizar trabalhos forçados.

O extermínio continua

A Candelária também fica na Região, e em 1993 oito jovens foram assassinados enquanto dormiam nas ruas. Uma cruz em frente à igreja lembra o evento.

A prática de execução de negros, infelizmente, continua em vigor nas nossas favelas, herança portuguesa desde os primórdios da cidade.


Caminhar no Rio é caminhar sobre sangue.

Guarabu e as abelhas

Cresci numa casa com quintal no Morro do Guarabu, Ilha do Governador. Lembro bem que existiam duas pequenas colmeias, de umas abelhinhas sem ferrões, dentro da parede, cuja entrada dos insetos era através de um tubo de cera que elas produziam.

Não faziam mal a ninguém e junto das borboletas, também comuns naquela época, deram um leve clima bucólico à minha infância.

Mas criança entendiada faz besteira e uma vez fiz xixi dentro de uma dessas colmeias. Mirei o jato exatamente no duto de entrada. Meu pai viu, me deu um safanão, brigou comigo e desde então não tenho mais lembranças desses bichos por lá. Talvez eu tenha matado todos eles.

O Rio é um cemitério indígena que obteve sucesso no seu projeto de fundação que incluía, entre outros objetivos, exterminar toda população tradicional do território usurpado. Não temos mais índios, as únicas coisas que sobraram foram as toponímias espalhadas por toda a cidade.

A Ilha é cheia de lugares com nomes nativos, como Cacuia, Cocotá, Tauá, a própria rua onde cresci, Muapire, além de dezenas de outros logradouros e bairros, como Copacabana, Ipanema e Grajaú, só para citar alguns poucos exemplos. Como bem mostrou Rafael Freitas no livro O Rio Antes do Rio, esses nomes têm ligação direta com as tabas ou características geográficas de seus territórios.

Outro dia resolvi entrar num sebo e comprei um exemplar de Denominações Indígenas na Toponímia Carioca, lançando em comemoração ao quarto centenário da cidade. Já que o morro onde cresci não é um bairro, o significado de seu nome não consta no Armazenzinho, banco de dados do Instituto Pereira passos que contêm, entre outras informações, um resumo da história do Rio.

Com o livro na mão, fui direto no verbete Guarabu: suas variações, como garabu, guaravu e guarau, designam uma casta de abelhas sem ferrões, a Melipona. O Google me levou ao resto da descoberta, mostrando que elas eram criadas pelos povos tradicionais para obtenção de mel e outros derivados.

Entrada da colmeia (fonte da imagem)
Uma busca das imagens confirmou as minhas suspeitas, são exatamente as abelhinhas que tinham no meu quintal.

Guarabu também pode significar o som do guará, socó (uma ave muito comum na Ilha até hoje) ou uma árvore de grande porte nativa do Rio, mas a história das abelhas é muito mais legal e vai ser essa que vou contar quando perguntarem o significado do nome do morro onde cresci.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

A pandemia começa no prato


O coronavírus surgiu na China, mas a próxima pandemia pode ter origem no Brasil. O desmatamento da Amazônia para abertura de pasto e plantações de soja para criação de ração animal vai colocar o homem em contato com novos microrganismos contra os quais não temos anticorpos.

Isso não sou eu quem está dizendo, é resultado de uma simulação financiada pelo Fórum Econômico Mundial e pelo Instituto Bill & Molina Gates com participação de cientistas e políticos de diversos países.

Essa simulação, conhecida como Evento 201, foi feita em outubro do ano passado e tinha como objetivo traçar um protocolo de operação de enfrentamento a um contágio em nível global.

Acabo de ver que a China identificou nos porcos uma nova gripe com potencial pandêmico. Não é mais questão de se, é uma questão de quando passaremos por isso outra vez.

Agora vem a pergunta: o que isso tem a ver com seu prato? Nosso apetite por carne criou um sistema produtivo doente, fonte dos maiores problemas que a humanidade está enfrentando.

Gripe suína, gripe aviária, vaca louca, por mais que depois mudem os nomes para desassociar as doenças ao consumo de proteína animal, está no nosso hábito alimentar a origem não apenas do aquecimento global, mas das pandemias. Nosso almoço vai destruir o planeta.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Quilos mortais e a esquerda brasileira

Iniciei minha reeducação alimentar há uns oito anos. Depois de uma separação e com a auto estima no chão, me olhei o espelho e percebi que precisava mudar. Comecei, então, a dar pequenos passos e essa caminhada continua até hoje.

A primeira mudança foi comer apenas um acarajé toda sexta-feira depois do expediente. Costumava comer dois, três, antes de pegar a barca para Ilha. Na semana seguinte troquei o pê efe do botequim por comida a quilo, substituindo aos poucos os carboidratos e proteínas animais por verduras e legumes.

Trabalhar na Ação da Cidadania me faz pensar em comida praticamente durante todo o período em que estou acordado, até mesmo nos meus momentos de lazer. Quando estou realizando alguma tarefa em casa, abro o YouTube e fico assistindo Quilos Mortais, reality que mostra a luta de obesos mórbidos para mudar seus hábitos e conseguir emagrecer e salvar suas vidas.

Na teoria o processo de emagrecimento é muito simples: apenas mude a alimentação. A bariátrica é só uma ferramenta auxiliar e que em nada vai resolver se o prato não mudar.

Quilos Mortais
A taxa de sucesso das pessoas que conseguem é de apenas cinco por cento. Vejam bem: apenas cinco por cento das pessoas que estão à beira da morte conseguem uma reeducação alimentar de longo prazo para salvar suas vidas.

Agora imaginem a taxa de sucesso das pessoas que não têm a morte no seu horizonte próximo, pessoas que possuem como meta apenas um planeta sustentável para as gerações futuras, quantas conseguem abrir mão do prazer da carne?

Sei que estou ficando monotemático, mas fico impressionado com a ginástica retórica que a esquerda progressista faz para não mudar seus hábitos alimentares. A produção de proteína animal está acabando com o planeta e podemos começar a mudar isso agora, sem precisar esperar a queda do capitalismo, queda esta que é muito mais retórica do que real.

Mas se apenas cinco por cento daqueles que estão à beira da morte conseguem, o que podemos dizer daqueles que ainda gozam de boa saúde?

"Não há nada mais trágico neste mundo do que saber o que é certo e não fazê-lo. Que tal mudarmos o mundo começando por nós mesmos?" Martin Luther King.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Face App

A democracia é um ideal que precisa ser defendido constantemente, ela nunca estará suficientemente sólida ao ponto não nos preocuparmos com seu derretimento. Hoje, por exemplo, o Brasil tem um governo que está preparando a cama para um golpe militar, uma aspiração do presidente que nunca foi escondida.

Agora imaginem o que um regime totalitário seria capaz de fazer se tivesse acesso à tecnologia de reconhecimento facial? Yuval Harari fala disso em Homo Deus, conjecturando como seria se a União Soviética tivesse acesso à ferramentas de controle e vigilância que começam a ser disponibilizadas. Um sistema praticamente impossível de ser derrubado, uma distopia real à la 1984.

A tecnologia está aí, e a única forma de nos defender é questionando seus usos através da arte, filosofia e ciências humanas, áreas de conhecimento naturalmente questionadoras e que sempre são atacadas pelas ditaduras.

Nem países com instituições democráticas fortes, como os Estados Unidos, estão livres disso. Reconhecimento facial está sendo usado para identificar manifestantes do Black Lives Matter.

Enquanto isso, aqui no Brasil, tem muito comunistas trocando de gênero no Face App, ajudando a gestar essa que vai ser nossa ruína.

domingo, 17 de maio de 2020

Mofinho

Hidroforça de Devastação
Mofinho. Foi assim que minha mãe me apelidou quando criança, uma referência aos longos períodos em que eu ficava no quarto, muitas vezes com as janelas fechadas, criando um ambiente propício para proliferação de mofo.

Passaria pelo pelo isolamento social com mais tranquilidade naquela época, apesar de não existirem todos os recursos tecnológicos de hoje. Só tinha uma televisão na casa, sem controle remoto, que ficava na sala e com preferência de uso dos adultos, seis estações que saíam do ar um determinado horário da noite.

Nem telefone fixo nós tínhamos, o tempo corria em outra velocidade para a gente que foi a última geração analógica da história. A rua era a extensão do lar e os vínculos com nossos vizinhos eram muito mais fortes.

Tô aqui lembrando dos brinquedos que mais me fizeram não sentir necessidade de gente: maquininha de escrever, que utilizava carbono como fita, e um microscópio, que me deixava o dia inteiro dentro do quarto escuro olhando insetos e plantas.

Minha mediocridade não me permitiu avançar em nenhuma das duas profissões, escritor ou cientista, mas deixaram marcas indeléveis na minha vida.

Também ganhei o Guia Prático de Ciência, 14 volumes com dezenas de experimentos para fazer com materiais domésticos. Um pulmão com um copo, canudos e bexigas, uma bussola com agulha e imã, um sistema hidráulico com seringas. Os livros ainda estão na casa dos meus pais, a única coisa que restou e que não vou me desfazer. Não foi barato e lembro do dia em que chegou pelos correios, comprados, se não me engano, através do envio postal de uma ficha que veio junto com a Revista Globo Ciência, da qual era assinante e que também ocupou muito do meu tempo.

Todo meu atual pragmatismo tem relação direta com meus interesses na infância.

Outro presente no qual gastei horas e mais horas foi o Hidroforça de Devastação dos Comandos em Ação, uma máquina de guerra anfíbia que custou bastante dinheiro dos meus pais, comprado na antiga Eletrolândia do Cacuia. Apesar de ter imaginado diversos combates, nunca sofri do mal de querer ser militar.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Como fortalecer o sistema imunológico em época de coronavírus

O coronavírus é potencialmente mais perigoso em pessoas com o sistema imunológico debilitado, por isso a importância de manter o corpo são para evitar os riscos desta doença. Diante deste cenário, tenho visto várias postagens e mensagens de Whatsapp com supostas receitas para fortalecer a imunologia, como chás, sucos e ‘superalimentos’.

Neste texto vou explicar porque tomar cuidado com essas receitas e como fortalecer de fato o sistema imunológico. Está dividido em duas partes: dicas gerais de alimentação e dicas específicas para quarentena.

Mas antes vamos esclarecer uma coisa: não adianta tomar chá de astrágalo se o resto da sua alimentação é só porcaria. Uma boa nutrição é formada por todo o conjunto de alimentos consumidos regularmente e só assim é possível fortalecer o sistema imunológico.

Dicas gerais de alimentação

1) Comer, preferencialmente, alimentos in natura ou minimamente processados. Os alimentos in natura são aqueles que são consumidos da forma como são encontrados na natureza, como ovos, legumes, frutas, hortaliças entre outros vegetais e carnes frescas.

Os minimamente processados são aqueles que sofreram alterações mínimas: foram cortados, descascados, polido, moídos, fermentados ou congelados, como grãos, cereais, farinhas, leguminosas, vegetais ou carnes congeladas.

Faça destes alimentos a base da sua alimentação e use ingredientes brasileiros e de produtores locais. Nossa cultura alimentar fornece excelentes exemplos de combinações perfeitas, como o tradicional arroz com feijão, salada e uma proteína animal. Ao final do texto tem outros exemplos para o café da manhã, almoço, jantar e lanche usando ingredientes facilmente encontrados nas nossas feiras e supermercados.

2) Os alimentos processados podem ser consumidos também, mas em menor quantidade do que os in natura ou minimamente processados. Para entender esta categoria de alimentos é preciso, antes, saber o que são as preparações culinárias.

Preparações culinárias são ingredientes que não são consumidos sozinhos, mas utilizados para cozinhar e temperar as receitas, como óleos, manteiga, sal, açúcar e gorduras. Devem ser usados moderadamente.

Os processados são alimentos in natura ou minimamente processados que sofreram adição de alguma preparação culinária com o objetivo de prolongar sua durabilidade, como enlatados (milho, ervilha, sardinha, atum), conservas, pães e queijos.

A última dica não é a menos importante:

3) Evite, sempre que possível, os ultraprocessados, que são preparados alimentícios que utilizam componentes e técnicas industriais impossíveis de serem reproduzidos nas nossas cozinhas. Possuem ingredientes sintetizados em laboratório e são ricos em sal, açúcares e gordura, sendo comprovadamente ligados a obesidade, diabetes, doenças do coração entre outros males.

São biscoitos, refrigerantes, temperos como caldos em tabletes e sazon, macarrão instantâneo, embutidos como salsicha, presunto e peito de peru, hambúrguer industrializado, salgadinhos de pacote e quase a totalidade de guloseimas encontradas nos mercados.

O ideal é eliminar totalmente esse tipo de preparo da dieta, mas não precisamos ser tão radicais e só a redução do consumo já é suficiente para melhorar em muito a saúde.
10 passos para alimentação saudável. Fonte: Guia Alimentar Para a População Brasileira
Dicas para a quarentena

Seguir essas dicas em época de confinamento não é simples, já que dependemos de ingredientes frescos, mas é possível:

1) Aprenda a congelar legumes e demais vegetais, assim você diminui a quantidade de vezes que precisa sair de casa para ir à feira ou ao hortifrúti. O processo se chama branqueamento;

Também congele carnes, preferencialmente frango e porco, evitando carnes vermelhas;

2) Os enlatados devem ser incluídos na dieta, mas sempre com moderação. Picles, champignon, palmito, milho, ervilha, jardineira de legumes e demais vegetais em conservas, além de sardinha e atum. Ocupam pouco espaço e duram bastante tempo.

3) Varie nas receitas e ingredientes, quanto maior a variedade, melhor.

Resumo

Receitas que dizem fortalecer o sistema imunológico que recebemos pelo Whatsapp não vão adiantar nada se todo o resto da alimentação for formada por ultraprocessados. Por isso tome cuidado com elas e com os ditos superalimentos;

Complementos vitamínicos em cápsulas não funcionam. Um comprimido de potássio não é a mesma coisa que comer uma banana, já que a fruta possui muitas outras substâncias que atuam em conjunto;

Coma, sempre, comida de verdade.

Outra coisa importante: faça exercícios físicos. Vários profissionais de educação física estão dando aulas gratuitas pelo Instagram e dicas de como se exercitar em casa. Também é possível gastar pouco com alguns itens que ajudam neste processo. Eu, por exemplo, comprei uma corda de pular e elásticos que podem ser usados para fortalecer braços, pernas e demais grupos musculares. Várias aulas podem ser assistidas no Youtube.

A realidade é um pouco mais complexa do que o exposto aqui, existem algumas nuances não citadas, mas é um bom começo para entender nutrição adequada e de qualidade.

Sugestões de refeições

O menu abaixo, assim como parte das dicas anteriores, são do Guia Alimentar Para a População Brasileira. É uma publicação brasileira referência no mundo.

Café da manhã: frutas, café, café com leite, bolo de milho, cuscuz, ovos, pães integrais, pão francês, queijo, suco e tapioca.

Almoço/jantar: arroz com feijão, grão de bico, carne, macarrão, polenta, legumes refogados, omelete, saladas, pirão, lentilha, aipim, sopas cozidos e assados.

Lanche: iogurte natural, frutas, vitamina, castanhas, nozes, frutas secas, pão integral, ovo mexido ou cozido, milho cozido.

Observação

Neste texto estou falando para os meus. Trabalhando com entrega de cestas básicas, tenho contato com pessoas em vulnerabilidade social e que não possuem o básico para o agora, quanto mais para pensar em estocar alimentos.