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quinta-feira, 21 de julho de 2022

Onde fascistas e progressistas confraternizam

Outro domingo, pedalando pelo Aterro, vi uma criança de que ainda não tinha começado a andar obesa. Seus pais tentavam estimular que ela se exercitasse e fiquei pensando na cena: provavelmente, aquela criança deveria receber refrigerante na mamadeira, além de outros alimentos industrializados, e, diante do ganho de peso, um médico recomendou atividade física.

Talvez não seja essa a realidade, mas uma coisa é certa: hábitos alimentares construídos na infância são extremamente difíceis de serem mudados. Aquele menino será um adulto que passará o resto da vida lutando contra a obesidade ou que será consumido pelas doenças oriundas do sobrepeso.

Já tentei mudar meus hábitos alimentares algumas vezes. Consegui muita coisa, mas tem uma delas que me parece impossível alterar: a carne.

Minha intenção em reduzir ou parar o consumo de animais é o impacto ambiental. O planeta simplesmente não sustenta a quantidade de carne que estamos comendo. É matemático.

Não existe salvação possível do mundo sem discutir nosso prato, mas nosso prato é sagrado e ninguém quer tocar nele. Fazemos churrasco para discutir a revolução, mas não há revolução sem futuro.

Fonte da imagem

A Revista Piauí deste mês traz uma reportagem investigativa sobre como gado criado em áreas protegidas da Amazônia são distribuídas para todo o Brasil, inclusive por grandes frigoríficos como a JBS (da Friboi). Não ache que por morar na capital do Rio ou São Paulo que seu almoço não tem gosto de desmatamento, porque tem.

A gente, que adora colocar a culpa de todos os problemas do mundo no capitalismo, resolveu fechar os olhos para a carne. Como mencionei acima, mudar hábitos alimentares é extremamente difícil, por isso ignoramos o fundamental, e ignorar o fundamental faz com que todos nossos esforços sejam em vão.

A mesa do churrasco é onde fascistas e progressistas confraternizam a passada da boiada.

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Livro: Sal, Açúcar e Gordura: Como a Indústria Alimentícia nos Fisgou

O Demolidor é um filme que mostra um futuro no qual os policiais não usam armas, as pessoas não se tocam quando se cumprimentam, existe multa para quem fala palavras ofensivas e o governo proibiu o consumo de todas as substâncias consideradas prejudiciais à saúde, como sal e cigarros.

Apesar do sucesso de bilheteria, não entrou para o panteão das obras de distopia, talvez por ser uma sátira ao politicamente correto, mostrando um mundo apático e sem graça, claramente vinculado a pautas progressistas.

Lembrei do filme lendo o livro ‘Sal, Açúcar e Gordura: Como a Indústria Alimentícia nos Fisgou’, que fala das estratégias da indústria em nos viciar em alimentos ultraprocessados e de como, a partir da década de noventa, a pressão social por alimentos mais saudáveis começou a agir sobre o governo e as empresas.

O Demolidor é de 1993 e não acredito que ele tenha sido lançado aleatoriamente. Já é bem documentado o quanto Hollywood contribuiu para convencer a opinião pública sobre a Guerra do Vietnã e o consumo de cigarros, então, usar o cinema para defender a liberdade de escolha de comida porcaria não me surpreende.

Uma das cenas mostra o discurso do líder da resistência sobre liberdade de escolha, em poder sentar num bar e se encher de colesterol comendo costeletas e batatas fritas, e é este o argumento utilizado pela indústria para vender salgadinhos cheios de gordura e sal: livre arbítrio e autonomia.


Mas eu queria mesmo era falar do livro, minha sexta leitura do ano. Uma crônica-reportagem no qual Michael Moss conta o resultado de conversas que teve com executivos da indústria, cientistas e técnicos alimentares, publicitários, lobistas e ativistas. Ele também teve acesso a memorandos, atas de reuniões, discursos internos, pesquisas científicas e outros documentos estratégicos que mostram o quanto os ultraprocessados são projetados para atrair a atenção das crianças e confundir os adultos. O quanto seus comerciais usam truques psicológicos e a alta combinação de sal, açúcar e gordura (SAG) estimulam nossas papilas gustativas ao ponto de nos viciar.

Tudo isso é conduzido por profissionais muito bem pagos e com acesso a ferramentas tecnológicas de ponta, e o resultado disso é bem visível: estamos morrendo mais cedo e os cofres das multinacionais que nos empurram essas porcarias travestidas de comida enchem cada vez mais.

Citando nomes, dando referências públicas e datas dos eventos, Moss mostra ser real o que muita gente acredita ser teoria da conspiração.

O Demolidor termina com uma crioprisão explodindo, matando dezenas de presos que estavam cumprindo pena e o Stallone fazendo uma conciliação de classe entre os rebeldes e o poder estabelecido, dizendo que os dois precisam ceder um pouco, o famoso ‘nem eu e nem tu’.

Infelizmente o livro não tem um final feliz, mas também termina defendendo, timidamente, uma conciliação entre Wall Street, a indústria, o governo e os consumidores.

Uma coisa é certa: as pessoas estão morrendo por causa da forma como estão se alimentando, os ultraprocessados são muito mais baratos que alimentos saudáveis e urge uma solução para isso, e a solução não passa pela autorregulamentação do mercado, é preciso que o governo cumpra seu papel constitucional.

Liberdade sem soberania não é nada. Não é apenas sobre escolher o que comprar numa prateleira, é também escolher quais produtos estarão à venda.

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Você sabe o que é carne mecanicamente separada, utilizada para fazer hambúrguer, salsicha e nugget?

Quando o boi atinge o peso do abate, ele é transportado do pasto para o abatedouro. Lá, o animal entra no corredor da morte, que o leva até uma câmara na qual sua cabeça fica presa entre duas portas. Então um funcionário dá um "tiro" na cabeça do boi, com um pistão pneumático que crava uma estaca no meio da testa, furando o cérebro. A maioria morre na hora, mas alguns são pendurados ainda vivos pela pata traseira.

Depois de pendurado, outro funcionário faz a sangria, enviando uma faca no pescoço do bicho para que todo o sangue saia. Então o corpo segue por uma linha de produção, com outros trabalhadores encarregados de abrir a barriga para tirar as entranhas, cortar os chifres, rabo, couro e a carne. No final dessa linha só sobra a carcaça.

Mas ainda tem carne nessa carcaça, carne que não foi separada manualmente no processo descrito acima. É aí que entra a separação mecânica, uma centrífuga que gira em alta velocidade e arranca os minúsculos pedaços de carne e gordura dos ossos. Nessa etapa pode ser utilizada amônia, um desengordurante, mas como não é um ingrediente adicionado diretamente aos hambúrgueres, a indústria não é obrigada a colocar essa informação no rótulo.

Depois, todos esses pedacinhos de carne são moídos, juntam-se outros aditivos com objetivo de tirar o gosto ruim da amônia, dar cor, textura e ajudar na conservação, e temos deliciosos nuggets e salsichas.


Saber como são feitos os ultraprocessados têm sido um dos meus interesses e tenho lido muito sobre o assunto. Se eu ganhasse uma bolsa de pesquisa, escreveria o livro que gostaria de ler, que ainda não foi escrito.

Mas a publicação Prato Sujo: Como a Indústria Manipula os Alimentos Para Viciar Você, escrito pela jornalista Márcia Kedouk, segue um caminho bem interessante. Fala com uma linguagem de fácil entendimento de coisas como transgênicos, a revolução verde e os agrotóxicos, as armadilhas dos ultraprocessados vendidos nos mercados como supostamente saudáveis, as estratégias da indústria para vender mais entre outros assuntos.

Fala também o que é a carne mecanicamente separada, mas não com os detalhes que fiz acima, colhidos em outras fontes.

A parte dois fala sobre alimentação saudável, que basicamente são as mesmas recomendações de sempre: comer comida de verdade, aquela que nossos avós identificavam como comida, mas essa dica não vai servir para as gerações mais novas, cujos avós já cresceram sendo envenenados com ultraprocessados.

O livro não tem um tom de ativismo, comum em publicações deste tema, e o motivo é por ser da coleção da Superinteressante, respeitada revista de divulgação científica. Só precisa de uma atualização, pois é de 2013 e novas descobertas já foram feitas nesse período.

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Revolução Verde

O planeta não conseguir produzir alimentos para todas as pessoas do mundo passou a ser uma preocupação para demógrafos e economistas a partir da Revolução Industrial. Desde então, cientistas e pensadores discutem formas de evitar esse futuro apocalíptico.

Uma das teorias que mais se propagou na época foi a Malthusiana, proposta por Thomas Malthus no final do Século XVIII. Segundo ele, a população cresceria num ritmo geométrico enquanto a produção de alimentos cresceria numa velocidade menor, em ritmo aritmético. Isso tornaria impossível alimentar tantas pessoas, levando o mundo a uma situação de drástica escassez de comida e miséria.

Esse foi o cenário que levou cientistas a intensificarem pesquisas para aumento da produtividade agropecuária. Algumas plantas e animais com maior potencial foram escolhidos e governos e empresas financiaram estudos em diversos lugares do mundo que resultaram na Revolução Verde.

As plantas escolhidas foram algumas variedades de trigo, milho, soja entre outras poucas espécies, que hoje são as commodities negociadas globalmente. A boa notícia é que, graças aos esforços dos cientistas, a produção de alimentos cresceu em uma escala nunca antes vista, provando que Malthus estava errado. Mas esta nova situação trouxe problemas que não estavam no radar.

Agricultores preocupados com produtividade e lucratividade passaram a escolher as plantas mais rentáveis, deixando de lado culturas tradicionais de seus países. Somam-se a isso o comércio global e a padronização da indústria, cujas máquinas exigem conformidade nos insumos, e o resultado foi o fortalecimento das monoculturas.

Outro dia ouvi um episódio do podcast Prato Cheio, do portal de jornalismo investigativo O Joio e o Trigo, sobre a marmelada e seu sumiço das mesas brasileiras, que junto com a goiabada e o marrom glacê eram as sobremesas mais consumidas por aqui. São vários os motivos desse desaparecimento, mas também tem a ver com o que estou contando aqui.


A mola-mestre que nos levou ao atual cenário de extrema concentração de renda do setor agropecuário, excesso de oferta de alimentos ultraprocessados e uso de agrotóxicos, monoculturas e aos organismos geneticamente modificados foi o problema da escassez de alimentos que comprometeria o futuro da humanidade.

Cabe ressaltar que a seleção de plantas e animais e a realização de cruzamentos para potencializar suas capacidades calóricas e resistência são atividades humanas desde sempre. A ciência moderna só aperfeiçoou e acelerou essa seleção artificial.

Hoje produzimos alimentos suficientes para todas as pessoas. Milhões ainda passam fome porque a forma econômica que rege nossas relações de troca, o capitalismo, faz com que apenas aqueles que tenham dinheiro possam se alimentar.

Achei importante trazer à luz esse histórico para não nos deixarmos influenciar por teorias da conspiração

Aproveito para falar da importância da Embrapa, empresa que colocou o Brasil no comércio internacional de commodities agrícolas. Não sei como seríamos enquanto nação sem ela. Para o bem e para o mal.

Mas não se enganem: o agronegócio é um estupro ao país, toda sua riqueza serve para encher os bolsos de pouquíssimas pessoas e esse sistema precisa ser combatido. O agro é pop é meuzôvo.

terça-feira, 3 de maio de 2022

A farsa dos nutrientes

Licopeno, substância presente no tomate, combate câncer de próstata. O betacaroteno, presente nas cenouras, faz bem para os olhos. Isso faz bem pra aquilo. Aquilo faz bem pra aquilo outro.

Esses tipos de afirmações são comuns, vindas até de profissionais de nutrição e de veículos de comunicação respeitáveis. Hoje mesmo vi uma matéria na BBC falando que a beterraba ajuda a correr mais rápido. Mas por que essas alegações não são confiáveis e por que é perigoso reduzir os alimentos a uma mera combinação de nutrientes? Segue o fio.

Ciência difícil de fazer

Verificar o benefício que um nutriente traz a uma pessoa é uma tarefa quase impossível de ser realizada. É preciso analisar a dieta de milhares de pessoas ao longo de vários anos para perceber mudanças, muitas vezes subjetivas, de melhoras no desempenho de alguma função corporal*. 

Esse acompanhamento é feito por complicados questionários no qual os voluntários precisam responder sobre seu histórico alimentar a cada xis meses, mas as pessoas simplesmente esquecem como se alimentaram no período analisado, sem falar que também podem mentir sobre sua dieta e não saber a composição do que comeram (no caso de refeições feitas em restaurantes), o que complica ainda mais a coleta de dados corretos.

Fatores ambientais, como a prática de atividade física, tabagismo e alcoolismo, exposição à poluição ou agrotóxicos, e fatores genéticos são outras variáveis que interferem na saúde, fazendo com que o surgimento ou não de uma doença não possa ter relação com o nutriente que está sendo pesquisado. O tomate possui centenas de nutrientes, tornando ainda mais difícil saber qual deles é responsável pelos supostos benefícios que traz. Pode ser o licopeno, mas pode ser qualquer outro, ou a combinação de duas ou mais substâncias.

Ou seja: é impossível isolar uma variável num grupo de milhares de pessoas ao longo de vários anos e depois afirmar que ele previne alguma doença. 


Nutricionismo

O nutricionismo é a redução dos alimentos a sua composição química. A palavra é formada pela junção de ‘nutrição’ e ‘reducionismo’. O maior problema dessa abordagem é que a indústria alimentícia se apropria das afirmações de saúde ligadas à nutrientes para lançar produtos supostamente saudáveis.

E se a Coca-Cola colocasse licopeno em sua fórmula, isso faria do refrigerante uma bebida saudável (ou menos prejudicial)? Claro que não. Pesquisas mostram que o grande público é muito suscetível às mensagens publicitárias contidas nas embalagens de ultraprocessados e suas alegações de saúde, como as que estão presentes em biscoitos e bebidas lácteas. Um biscoito fortalecido com vitamina vai continuar sendo comida porcaria.

Outro fator a considerar é que os nutrientes isolados não demonstram os mesmos supostos benefícios do que os alimentos onde estão contidos, e suplementos alimentares têm se mostrado repetidamente inócuos.

O resumo é: não ligue para afirmações nutricionais que ligam nutrientes únicos a melhora de funções corporais; prefira alimentos frescos e evite ao máximo ultraprocessados. A indústria mente e vai fazer de tudo para te confundir.

*****


* exceto em caso de doenças causadas pela falta de nutrientes únicos, como o escorbuto. Felizmente essas doenças não fazem mais parte do nosso cotidiano.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Deserto alimentar

Moro em um deserto alimentar, no Centro do Rio, ou seja, preciso me deslocar mais de 1,5km para conseguir comprar alimentos saudáveis e frescos. Perto da minha casa até tem super e minimercados, mas a qualidade e variedade são sofríveis, por isso tenho que ir até a feira da Glória ou ao Mundial da Lapa, ambos a mais de 3km de distância.

Os pântanos alimentares são regiões com ainda mais restrição de acesso a alimentos saudáveis o seu oposto é oásis alimentar.

Regiões pobres são mais afetadas por essa escassez, com comércios locais vendendo ultraprocessados baratos. Bairros ricos possuem mais oferta de hortifrutis e essa diferença tem impacto na saúde das pessoas.


Incentivar a agricultura familiar é combater os desertos alimentares

Uma leitura fria pode sugerir que basta ampliar a renda das pessoas para que elas possam ter mais acesso a alimentos saudáveis, mas a gente sabe como o mercado opera: aumentando ainda mais desigualdades sociais.

Desta forma, é urgente políticas públicas para combater os desertos alimentares, já que doenças crônicas relacionadas a alimentação são as principais causas de mortes no Brasil e no mundo.

Algumas sugestões: incentivos fiscais para comércios saudáveis e barateamento de alimentos frescos, estímulos a hortas comunitárias, feiras livres e mercados municipais, educação nutricional no currículo educacional, restrição de ultraprocessados nas escolas entre outras soluções.

Garantir fácil acesso a alimentos saudáveis também é uma questão de saúde pública.



terça-feira, 26 de abril de 2022

Com o que estamos alimentando nossos filhos?

O barco da Nestlé que vendia ultraprocessados para comunidades ribeirinhas da Amazônia foi o início de uma epidemia de obesidade e doenças crônicas para a população local, que começou a substituir uma alimentação natural por porcarias.

Com investimento bilionário em marketing, famílias acreditavam que estavam dando o que existia de melhor em nutrição para seus filhos, mas era exatamente o contrário.

O mercado flutuante era colorido e cheio de guloseimas, como a casa da bruxa de João e Maria, e atraía as pessoas como um ponto de entretenimento.

Ele não navega mais pelos rios amazônicos, a Nestlé aperfeiçoou suas técnicas logísticas e hoje emprega revendedoras locais e aumentou sua rede de distribuição para pequenos comércios, facilitando ainda mais o acesso aos ultraprocessados.

No documentário da BBC 'Com o que estamos alimentando nossos filhos?', além de mostrar o barco, o médico Chris van Telluken fica um mês se alimentando de uma dieta com 80% das calorias oriundas de industrializados, com acompanhamento médico mostrando o resultado no seu corpo, uma releitura do que Morgan Spurlock fez em 'Super Size Me'.

 
Um documentário brasileiro que aborda o mesmo tema é o 'Muito Além do Peso', que também mostra o barco da Nestlé. Excelente filme, link nos comentários.

Uma coisa bacana no filme da BBC é ver que a classificação de alimentos criada no Brasil se espalhou para o resto do mundo, nos colocando na vanguarda desse tipo de discussão, mas ainda estamos muito aquém do que deve ser feito em termos de política pública para alimentação.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Carne x Proteína

A indústria alimentícia tem um projeto para diminuir nosso entendimento sobre comida, reduzindo o que comemos a uma mistura de nutrientes e elementos químicos

Assim fica mais fácil nos vender seus compostos cheios de corantes, saborizantes e outro produtos sintéticos que quase ninguém sabe como são feitos, desde que venha escrito na embalagem que contém vitaminas e sais minerais importantes para o bom funcionamento do corpo

Só que comida é muito mais que um aglomerado de macronutrientes e vitaminas. É cultura, é política

O nome desse projeto é nutricionismo, junção das palavras ‘nutrição’ e ‘reducionismo’. Enxergar a comida apenas por sua composição química nos deixa mais suscetíveis às mensagens publicitárias da indústria, o que atrapalha nossas escolhas alimentares e nos deixa doentes, além dos outros problemas sociais

E sem perceber vamos nos distanciando da origem dos alimentos e até nosso vocabulário muda, sem nos dar conta que essa mudança está sendo orquestrada nos departamentos de comunicação das multinacionais que produzem ultraprocessados 

Um exemplo prático é que muita gente já tá chamando carne de proteína. Proteína pode ser qualquer coisa, até nugget de frango

Para saber mais, recomendo o livro Nutricionismo: a ciência e a política do aconselhamento nutricional, de  Gyorgy Scrinis.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Como são feitos os alimentos ultraprocessados?


Costumo ler os rótulos dos alimentos ultraprocessados para ver quantas substâncias com nomes esquisito eles possuem. Tenho curiosidade em saber o que são essas substâncias, quais suas funções no produto e como são produzidas.

Infelizmente, acessar essas informações não é fácil e sempre me levam para um lugar cada vez mais obscuro. Um exemplo:

Apesar de não constar no rótulo, sei que as cervejas populares, como a Brahma, são feitas com HFCS (hight fructose corn syrup - xarope de milho). Mas como esse xarope é feito?

Descobri que é através da hidrólise enzimática de amido, assim como a maltodextrina, mas não achei no Youtube nenhum vídeo que mostra uma máquina industrial realizando esse processo. Também não sei como conseguem a amilase utilizada como reagente, que é uma enzima encontrada na saliva e no pâncreas de mamíferos, mas que também pode ser adquirida através de alguns fungos.

As dúvidas são muitas: pâncreas de animais ainda são utilizados para produção de amilase? Se sim, como? Os pâncreas são vendidos pelos abatedouros para uma fábrica, batidos num liquidificador enorme e misturado com outras substâncias para deles serem extraídas esta enzima? Então produtos feitos com xarope de milho podem não ser veganos, já que foram elaborados com as entranhas de um animal?

O emprego de vísceras pela indústria farmacêutica, cosmética e alimentar não é mais tão comum, já que fungos são capazes de uma produção muito maior e mais eficiente, mas ainda é utilizado e gostaria de saber mais sobre o uso desta matéria-prima.

São milhares de ingredientes sintéticos disponíveis e só tenho dúvidas sobre eles. Propositadamente, a gente não faz a menor ideia do que está comendo. 

Para tentar entender um pouco tudo isso, comprei o livro base do curso de engenharia de alimentos. São quase mil páginas numa linguagem complicada (uma pena não ter prestado atenção às aulas de química), mas espero conseguir compreender melhor como os alimentos são feitos.

Se tivesse recursos, desenvolveria uma pesquisa para escrever um livro simples sobre tudo isso, listando as principais substâncias utilizadas na indústria alimentícia, suas funções e como são produzidas, além de mostrar como os ultraprocessados são fabricados.

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Cinco reais e setenta centavos

Cinco reais e setenta centavos. Foi o valor da compra no mercadinho. Dois miojos e alguns outros itens que não consegui ver. O menino estava animado em almoçar com a avó, apesar das restrições de não levar as guloseimas que todo garoto da sua idade gosta de comer.

Às rugas de idade da senhora, somavam-se as de preocupação. Só tinha cinco reais de crédito no cartão alimentação que segurava. Fez menção em retirar algum item do seu já combalido cardápio, mas a caixa percebeu que a velha carregava algumas moedas na mão. Contou sessenta centavos, mas disse que depois ela poderia trazer os dez centavos restantes.

Na minha cestinha, algumas latas de cerveja. Cada uma delas custando seis reais. O almoço da senhora e seu neto: cinco reais e setenta centavos.

Claro que eu não deixaria ela tirar nada de suas compras, pagaria tudo se fosse necessário. Também poderia ter feito uma pequena feira ou dado uma cesta básica da Ação da Cidadania, mas tudo aconteceu tão rápido que não consegui fazer nada.

Trabalho com a fome no Brasil. Passo o dia inteiro recebendo mensagens de gente pedindo comida. A noite, nos finais de semana, não importa. Estou nessa função 24 horas por dia. Quando a barriga dói, o relógio não faz a menor diferença.

É emocionalmente muito desgastante. Como forma de preservação, tento me distanciar disso em alguns momentos, como quando estava no mercadinho comprando cervejas para beber em casa depois de um dia de trabalho. Na hora não tive reação, foi muito rápido, mas fiquei com a sensação de que deveria ter feito alguma coisa.

Mas não adianta, a sensação de nunca conseguir fazer o suficiente me acompanha o dia inteiro.

Carrego essas dores comigo, mas não sou de ficar falando disso por aí. Troquei a terapia pelo remo e, de longe, no mesmo lugar por onde os europeus chegaram em suas naus e caravelas, fico admirando a beleza dessa cidade e esqueço por alguns momentos o caos em que estamos.

Tento me apegar aos bons momentos (se é que existe mesmo isso), como a mensagem do cacique pataxó da Bahia falando da importância das cestas que a Ação da Cidadania enviou e do áudio do podcast que ele, enquanto estudante de ciências sociais, gravou na universidade com o tema insegurança alimentar.

Ou vendo as fotos dos alimentos subindo ria acima de barco na Amazônia. Ou para ribeirinhos do Pantanal. Ou nas periferias e para refugiados.

Terra Indígena de Areões, Mato Grosso, recebendo cestas básicas da Ação da Cidadania
 

O primeiro ato do Jair Bolsonaro quando assumiu a presidência foi acabar com o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, entidade que ajudou o país a sair do Mapa da Fome da ONU. É muito significativo o que ele fez. Hoje o Brasil não tem nenhuma política de combate à fome, estamos à deriva enquanto caminhamos a passos largos em direção ao abismo.

Se você não teve perda de renda durante a pandemia, considere fazer uma doação para a campanha Brasil Sem Fome. Cada cesta básica doada tem dez quilos e faz cinquenta refeições. Custa cinquenta reais, um real por refeição. Tem salvado muitas vidas.

Também é urgente tirar Bolsonaro do poder. Cada dia a mais como presidente, o Brasil assina dezenas de certidões de óbito.

Eles combinaram de nos matar, nós precisamos combinar de não morrer.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Super Size Me 2: Holy Chicken!

Super Size Me 2 foi o filme mais importante que assisti recentemente, fundamental para quem curte o tema alimentação.

É um documentário gonzo que foge do tradicional “cabeças falantes” deste estilo de cinema, no qual os entrevistados ficam sentados em frente à câmera falando. Morgan Spurlock se coloca à frente de cena e com seu carisma faz rir e chorar sem tirar do longa o caráter ‘informativo’.

Morgan é um famoso cineasta e ativista estadunidense que resolveu abrir sua própria loja de fast food, a Holy Chicken! No filme ele revela como se dá esse processo, consultando especialistas em comunicação, advogados, contratando uma empresa cujo serviço é desenvolver novas receitas para restaurantes e marcas de alimentos, conversando com criadores de frango e consumidores.

O filme me despertou vários sentimentos, começando pelo desejo de correr para o McDonald’s assim que os créditos começassem a subir, passando pela empolgação em ver tanta gente criativa trabalhando no desenvolvimento dos conceitos da loja, tristeza ao ver fazendeiros endividados e terminou me dando a certeza que nunca mais comerei num fast food outra vez.

O conceito da Holy Chicken! é a transparência sobre seus produtos e a cadeia produtiva. Nas paredes estão todas as informações reais sobre a fabricação do sanduíche, passando pela exploração de fazendeiros, maus tratos animais e todas as mentiras nas peças de comunicação para fazer os clientes acreditarem que estão comendo um lanche saudável e socialmente responsável.

O que mais me chamou a atenção foi como que as pessoas, mesmo diante das informações sobre toda crueldade utilizada para a confecção daquele lanche, ainda assim entravam na fila para fazer seus pedidos. Por que elas não se indignavam?

Os clientes sabiam que para aquele sanduíche ser produzido, um fazendeiro ficou endividado (tinha o nome e uma ilustração de um deles), eram usados frangos cujas pernas quebravam porque não aguentavam o próprio peso, tinham acesso a todas as mentiras contadas por equipes de marketing para dar a falsa sensação de que aquele alimento era saudável e, ainda assim, a loja foi um tremendo sucesso, recebendo, inclusive, propostas de investidores interessados em espalhar franquias em todos os Estados Unidos, uma espécie de espetacularização do sofrimento com molho e salada.

Por que somos assim? Por que, passivamente, diante de tanta violência, apenas fazemos nossos pedidos e não movimentamos um dedo contra esse sistema cruel que explora trabalhadores e clientes em troca de dinheiro? Como podemos ficar tão indiferentes a isso?

O problema é, como sempre, o capitalismo, que coloca nossas necessidades individuais acima do coletivo e faz com a gente não se importe com as violências cometidas contra o outro. Eu quero comer esse sanduíche, dane-se se ele deixou um fazendeiro e sua família eternamente endividada. Dane-se a exploração animal, dane-se que estão mentindo para mim. Eu quero esse sanduíche e só isso importa.

O individualismo e a crença da meritocracia, tão incentivada pelo neoliberalismo, faz com que procuremos soluções individuais para nossos problemas. É a compra do carro ao invés da exigência de transporte público. É o plano de saúde no lugar de um sistema gratuito e universal. É o ‘meu’ sanduíche no lugar de uma refeição sustentável. O outro é apenas uma escada para nossos interesses.

Infelizmente apenas ter acesso à informação não é suficiente para mudarmos de atitude. Precisamos entender os processos históricos que aprisionam os trabalhadores para, desta forma, iniciarmos a transformação.

Precisamos combater esse individualismo que nos impede de darmos as mãos para a construção de um mundo fraterno e essa construção passa pelo despertar da consciência de classe.

O mundo que queremos nunca aconteceu, e imaginar esse mundo perpassa edificar teoricamente suas bases e agirmos de acordo elas.

Avante, companheiros.

(filme disponível na Amazon)

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Refrigerante saudável e segurança alimentar

Eu realmente acho que um dia teremos uma fórmula saudável de refrigerante e outros ultraprocessados, como biscoitos, lasanhas congeladas e macarrões instantâneos, mas neste vídeo eu vou te contar porque mesmo quando este dia chegar devemos continuar evitando esses compostos alimentícios.


O Guia Alimentar para a População Brasileira, publicação que serve como orientação para todas as políticas públicas nutricionais do país, elogiada por diversas entidades ao redor do mundo, está sendo atacada pelo governo Bolsonaro, o que representa um retrocesso na proteção da saúde do brasileiro.

As principais doenças crônicas que mais matam são oriundas da má alimentação, causadas principalmente pelo alto consumo de compostos alimentícios ultraprocessados, as chamadas comidas porcaria, e afrouxar esse entendimento junto à população é um ato que compromete ainda mais a escolhas de alimentos saudáveis.

Diabetes, câncer, hipertensão, osteoporose, doenças cardíacas são apenas algumas que estão diretamente relacionadas a uma dieta inadequada e são essas as principais causas de mortes no brasil e no mundo.

Mas eu acredito na tecnologia de engenharia alimentar e realmente acho que um dia essa comida porcaria vai ser saudável. Imaginem só, que maravilha, beber uma coca cola sem medo de desenvolver diabetes, ou comer um Big Mac sem risco de entupir as artérias de gordura e ainda nutrir seu corpo com nutrientes que vão te fortalecer.

Mas mesmo quando esse dia chegar, a gente precisa fazer consumo eventuais desses alimentos por um único motivo: soberania alimentar.

Soberania alimentar é o direito dos povos de decidir sobre suas políticas agrícolas e alimentares, decidir o que e como cultivar, o que destinar ao mercado interno e externo e a gestão dos recursos naturais. 

Comer é mais que o simples ato de nutrir o corpo, nossas escolhas têm implicações sociais, econômicas e ambientais, e quando alguém resolver comprar de uma multinacional alimentícia, está transferindo para essa multinacional todas as decisões relacionadas a cadeia produtiva e enfraquecendo outros setores, como a agricultura familiar.

A gente sabe que o objetivo das empresas sempre vai ser o lucro e o respeito aos trabalhadores, ao meio ambiente e clientes só acontece quando esses grupos possuem poder de pressão, caso contrário essas corporações vão fazer o que for possível para maximizar seu faturamento, como apertar salários e direitos trabalhistas e utilizar processos produtivos altamente poluentes, por exemplo.

Quando a gente tira o poder da população em produzir seus alimentos e transfere essa responsabilidade para apenas algumas corporações, a gente enfraquece a capacidade de pressão da população, colocando todos numa situação de vulnerabilidade e sujeita às ambições dessas empresas.

Soberania é uma palavra derivada do latim e significa poder supremo, ou seja, dar soberania aos cidadãos é dizer que não existe nada acima deles, nem o interesse predador de empresas multinacionais.

Em um estado onde impera a soberania popular é aquele no qual o povo é a fonte de todo o poder e está lá, na nossa Constituição, artigo primeiro, e para ser soberano o povo precisa ser livre para decidir suas estratégias alimentares e possuir os meios de produção, de forma a preservar culturas locais e a sustentabilidade das futuras gerações.

Precisamos ter o controle sobre nossos hábitos alimentares e não delegar essa responsabilidade para apenas algumas instituições financeiras e transnacionais alimentícias que vão colocar seus interesses à frente aos da população, como o agronegócio de monoculturas para exportação, enfraquecendo culturas tradicionais e aumentando o preço interno da comida, como estamos vendo agora, uso abusivo de agrotóxicos, produção de ultraprocessados prejudiciais à saúde, ocultação da informações como se os alimentos são ou não transgênicos, privatização da água, patenteamento de sementes e incêndios dos nossos biomas para aumento de áreas cultiváveis e pastos.

Falar sobre soberania alimentar é falar sobre reforma agrária, garantindo acesso de milhares de famílias ao trabalho e à produção de alimentos diversificados, trabalho de cooperativas, agroecologia, hortas urbanas, uso de energias renováveis, criando uma alternativa solidária ao atual sistema de produção que deixa milhões de pessoas passando fome no Brasil.

Atualmente apenas 10 empresas controlam o mercado de produção de alimentos no mundo, e aumentar ainda mais o poder destas empresas é muito preocupante e não é exagero imaginar um futuro distópico.

Apenas 10 empresas controlam o mercado mundial de alimentos

O poder não pode estar concentrado em poucos, é preciso pulverizar todas as responsabilidades sobre o que e como produzir, preços a serem cobrados, cadeia de distribuição e, principalmente, os lucros da comercialização, e isso não se aplica apenas aos alimentos, mas a toda manufatura humana.

Para fortalecer a soberania alimentar do Brasil, dê preferência para comida de verdade da agricultura familiar.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

A pandemia começa no prato


O coronavírus surgiu na China, mas a próxima pandemia pode ter origem no Brasil. O desmatamento da Amazônia para abertura de pasto e plantações de soja para criação de ração animal vai colocar o homem em contato com novos microrganismos contra os quais não temos anticorpos.

Isso não sou eu quem está dizendo, é resultado de uma simulação financiada pelo Fórum Econômico Mundial e pelo Instituto Bill & Molina Gates com participação de cientistas e políticos de diversos países.

Essa simulação, conhecida como Evento 201, foi feita em outubro do ano passado e tinha como objetivo traçar um protocolo de operação de enfrentamento a um contágio em nível global.

Acabo de ver que a China identificou nos porcos uma nova gripe com potencial pandêmico. Não é mais questão de se, é uma questão de quando passaremos por isso outra vez.

Agora vem a pergunta: o que isso tem a ver com seu prato? Nosso apetite por carne criou um sistema produtivo doente, fonte dos maiores problemas que a humanidade está enfrentando.

Gripe suína, gripe aviária, vaca louca, por mais que depois mudem os nomes para desassociar as doenças ao consumo de proteína animal, está no nosso hábito alimentar a origem não apenas do aquecimento global, mas das pandemias. Nosso almoço vai destruir o planeta.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Quilos mortais e a esquerda brasileira

Iniciei minha reeducação alimentar há uns oito anos. Depois de uma separação e com a auto estima no chão, me olhei o espelho e percebi que precisava mudar. Comecei, então, a dar pequenos passos e essa caminhada continua até hoje.

A primeira mudança foi comer apenas um acarajé toda sexta-feira depois do expediente. Costumava comer dois, três, antes de pegar a barca para Ilha. Na semana seguinte troquei o pê efe do botequim por comida a quilo, substituindo aos poucos os carboidratos e proteínas animais por verduras e legumes.

Trabalhar na Ação da Cidadania me faz pensar em comida praticamente durante todo o período em que estou acordado, até mesmo nos meus momentos de lazer. Quando estou realizando alguma tarefa em casa, abro o YouTube e fico assistindo Quilos Mortais, reality que mostra a luta de obesos mórbidos para mudar seus hábitos e conseguir emagrecer e salvar suas vidas.

Na teoria o processo de emagrecimento é muito simples: apenas mude a alimentação. A bariátrica é só uma ferramenta auxiliar e que em nada vai resolver se o prato não mudar.

Quilos Mortais
A taxa de sucesso das pessoas que conseguem é de apenas cinco por cento. Vejam bem: apenas cinco por cento das pessoas que estão à beira da morte conseguem uma reeducação alimentar de longo prazo para salvar suas vidas.

Agora imaginem a taxa de sucesso das pessoas que não têm a morte no seu horizonte próximo, pessoas que possuem como meta apenas um planeta sustentável para as gerações futuras, quantas conseguem abrir mão do prazer da carne?

Sei que estou ficando monotemático, mas fico impressionado com a ginástica retórica que a esquerda progressista faz para não mudar seus hábitos alimentares. A produção de proteína animal está acabando com o planeta e podemos começar a mudar isso agora, sem precisar esperar a queda do capitalismo, queda esta que é muito mais retórica do que real.

Mas se apenas cinco por cento daqueles que estão à beira da morte conseguem, o que podemos dizer daqueles que ainda gozam de boa saúde?

"Não há nada mais trágico neste mundo do que saber o que é certo e não fazê-lo. Que tal mudarmos o mundo começando por nós mesmos?" Martin Luther King.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Como fortalecer o sistema imunológico em época de coronavírus

O coronavírus é potencialmente mais perigoso em pessoas com o sistema imunológico debilitado, por isso a importância de manter o corpo são para evitar os riscos desta doença. Diante deste cenário, tenho visto várias postagens e mensagens de Whatsapp com supostas receitas para fortalecer a imunologia, como chás, sucos e ‘superalimentos’.

Neste texto vou explicar porque tomar cuidado com essas receitas e como fortalecer de fato o sistema imunológico. Está dividido em duas partes: dicas gerais de alimentação e dicas específicas para quarentena.

Mas antes vamos esclarecer uma coisa: não adianta tomar chá de astrágalo se o resto da sua alimentação é só porcaria. Uma boa nutrição é formada por todo o conjunto de alimentos consumidos regularmente e só assim é possível fortalecer o sistema imunológico.

Dicas gerais de alimentação

1) Comer, preferencialmente, alimentos in natura ou minimamente processados. Os alimentos in natura são aqueles que são consumidos da forma como são encontrados na natureza, como ovos, legumes, frutas, hortaliças entre outros vegetais e carnes frescas.

Os minimamente processados são aqueles que sofreram alterações mínimas: foram cortados, descascados, polido, moídos, fermentados ou congelados, como grãos, cereais, farinhas, leguminosas, vegetais ou carnes congeladas.

Faça destes alimentos a base da sua alimentação e use ingredientes brasileiros e de produtores locais. Nossa cultura alimentar fornece excelentes exemplos de combinações perfeitas, como o tradicional arroz com feijão, salada e uma proteína animal. Ao final do texto tem outros exemplos para o café da manhã, almoço, jantar e lanche usando ingredientes facilmente encontrados nas nossas feiras e supermercados.

2) Os alimentos processados podem ser consumidos também, mas em menor quantidade do que os in natura ou minimamente processados. Para entender esta categoria de alimentos é preciso, antes, saber o que são as preparações culinárias.

Preparações culinárias são ingredientes que não são consumidos sozinhos, mas utilizados para cozinhar e temperar as receitas, como óleos, manteiga, sal, açúcar e gorduras. Devem ser usados moderadamente.

Os processados são alimentos in natura ou minimamente processados que sofreram adição de alguma preparação culinária com o objetivo de prolongar sua durabilidade, como enlatados (milho, ervilha, sardinha, atum), conservas, pães e queijos.

A última dica não é a menos importante:

3) Evite, sempre que possível, os ultraprocessados, que são preparados alimentícios que utilizam componentes e técnicas industriais impossíveis de serem reproduzidos nas nossas cozinhas. Possuem ingredientes sintetizados em laboratório e são ricos em sal, açúcares e gordura, sendo comprovadamente ligados a obesidade, diabetes, doenças do coração entre outros males.

São biscoitos, refrigerantes, temperos como caldos em tabletes e sazon, macarrão instantâneo, embutidos como salsicha, presunto e peito de peru, hambúrguer industrializado, salgadinhos de pacote e quase a totalidade de guloseimas encontradas nos mercados.

O ideal é eliminar totalmente esse tipo de preparo da dieta, mas não precisamos ser tão radicais e só a redução do consumo já é suficiente para melhorar em muito a saúde.
10 passos para alimentação saudável. Fonte: Guia Alimentar Para a População Brasileira
Dicas para a quarentena

Seguir essas dicas em época de confinamento não é simples, já que dependemos de ingredientes frescos, mas é possível:

1) Aprenda a congelar legumes e demais vegetais, assim você diminui a quantidade de vezes que precisa sair de casa para ir à feira ou ao hortifrúti. O processo se chama branqueamento;

Também congele carnes, preferencialmente frango e porco, evitando carnes vermelhas;

2) Os enlatados devem ser incluídos na dieta, mas sempre com moderação. Picles, champignon, palmito, milho, ervilha, jardineira de legumes e demais vegetais em conservas, além de sardinha e atum. Ocupam pouco espaço e duram bastante tempo.

3) Varie nas receitas e ingredientes, quanto maior a variedade, melhor.

Resumo

Receitas que dizem fortalecer o sistema imunológico que recebemos pelo Whatsapp não vão adiantar nada se todo o resto da alimentação for formada por ultraprocessados. Por isso tome cuidado com elas e com os ditos superalimentos;

Complementos vitamínicos em cápsulas não funcionam. Um comprimido de potássio não é a mesma coisa que comer uma banana, já que a fruta possui muitas outras substâncias que atuam em conjunto;

Coma, sempre, comida de verdade.

Outra coisa importante: faça exercícios físicos. Vários profissionais de educação física estão dando aulas gratuitas pelo Instagram e dicas de como se exercitar em casa. Também é possível gastar pouco com alguns itens que ajudam neste processo. Eu, por exemplo, comprei uma corda de pular e elásticos que podem ser usados para fortalecer braços, pernas e demais grupos musculares. Várias aulas podem ser assistidas no Youtube.

A realidade é um pouco mais complexa do que o exposto aqui, existem algumas nuances não citadas, mas é um bom começo para entender nutrição adequada e de qualidade.

Sugestões de refeições

O menu abaixo, assim como parte das dicas anteriores, são do Guia Alimentar Para a População Brasileira. É uma publicação brasileira referência no mundo.

Café da manhã: frutas, café, café com leite, bolo de milho, cuscuz, ovos, pães integrais, pão francês, queijo, suco e tapioca.

Almoço/jantar: arroz com feijão, grão de bico, carne, macarrão, polenta, legumes refogados, omelete, saladas, pirão, lentilha, aipim, sopas cozidos e assados.

Lanche: iogurte natural, frutas, vitamina, castanhas, nozes, frutas secas, pão integral, ovo mexido ou cozido, milho cozido.

Observação

Neste texto estou falando para os meus. Trabalhando com entrega de cestas básicas, tenho contato com pessoas em vulnerabilidade social e que não possuem o básico para o agora, quanto mais para pensar em estocar alimentos.

domingo, 12 de janeiro de 2020

O Amor é Cozinha

Tenho muita dificuldade para realizar tarefas repetitivas e que demandam tempo e paciência, como cultivar uma horta, limpar minha bicicleta ou artesanato. No mundo hiperconectado de hoje, até ler um livro ou assistir um filme são atividades quase impossíveis de serem realizadas sem dar aquela checada no Facebook ou WhatsApp a cada cinco minutos.

Acho que a única coisa que consegue minha total atenção é a cozinha. Planejar minhas refeições, escolher os alimentos na feira, o preparo e a limpeza da louça são atividades nas quais emerjo. Passo boa parte do tempo fazendo isso, já que faço todas minhas refeições em casa.

Impossível cozinhar sem ter paciência ou querendo atropelar processos para chegar logo ao resultado. Muitas vezes passam-se horas no preparo para que o consumo seja realizado em poucos minutos.

Cozinhar é cuidar, é ficar atento ao fogão para não queimar, é perceber pequenos detalhes como o ponto da fermentação da massa do pão, é entender que o cozimento no forno é lento e que não adianta aumentar a temperatura para diminuir a espera.

Meu pão de fermentação natural
Numa sociedade de consumo de massa como a nossa, tudo nos leva para a compra de produtos prontos. Tá tudo ali, na prateleira, é só pegar e comer. O capitalismo veio para nos libertar das amarras do prazo, para dar-nos tempo livre para atividades realmente importantes e cozinhar não é uma dessas atividades importantes.

O Tinder é o supermercado dos relacionamentos, transportamos nosso modelo de consumo para a forma com a qual lidamos com as pessoas. Queremos o resultado de uma comida caseira mas sem a necessidade de passar por todo o processo que isso envolve.

Almejamos relações duradouras mas não sabemos mais como construí-las. É preciso parar, voltar algumas casas e aprender (ou reaprender) como construir ligações sólidas com o outro, assim como temos feito quando repensamos nossa alimentação, quando voltamos a colocar a mão na comida e apreciar cada etapa do processo, com a calma e a paciência necessária para o preparo, no fogo baixo, de um guisado.

Tenho repensado meus relacionamentos e cheguei a conclusão que preciso fazer com eles o mesmo que faço na cozinha. O capitalismo molda todos os nossos comportamentos e fugir de suas garras, mesmo que seja uma fuga ilusória, é um dos meus objetivos.

Construir o amor é como cozinhar, e cozinhar com seu amor é a coisa mais incrível que alguém pode fazer.

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Estou lendo Bauman, que fala sobre como o mercado de consumo influencia nossas relações amorosas, e é impossível não fazer uma analogia com a cozinha. Estou no início do livro, mas ainda não aprendi a cozinhar um texto.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Mas alimentação saudável é muito cara!

Continuando as comemorações aos cinco anos do Guia Alimentar Para a População Brasileira, hoje as dicas serão referentes ao preço:

1) Alguns legumes, verduras e frutas realmente possuem preço mais elevado, mas quando consumidos com outros mais baratos, como arroz, feijão, batata e mandioca, fartamente presentes na culinária brasileira, faz com que o preço médio da refeição seja inferior aos ultraprocessados;

2) Os vegetais da estação são mais baratos e abundantes, então procure saber sempre quais são os alimentos da época;

3) Alimentos de produtores locais também possuem preço inferior, já que não estão incluídas as despesas de transporte. Evite comprar importados, que além de ser bom para o bolso é bom para a economia local e para o meio ambiente;

4) Procurar fornecedores com menos intermediários, como feiras e sacolões, é uma ótima opção. Veja a possibilidade de comprar direto dos produtores ou através de compras coletivas, modalidade que tem se tornado bem comum nos grandes centros urbanos, principalmente com cestas de alimentos orgânicos;

5) Levar a comida para o trabalho também é uma forma de economizar, então não tenha vergonha de levar uma marmita com uma refeição saudável;

Vinho, cachaça e café do Armazém do Campo
6) Demanda: os preços caem conforme a demanda aumenta, já que mais produtores entram no mercado e há incremento da oferta. Então, quanto mais gente compra, menor é o preço. Incentive seus amigos e veja quais são seus gastos que podem ser cortados para reinvestir o valor em alimentos saudáveis;

7) Participação política: mais uma vez, fazer parte de grupos (associações, partidos políticos, conselhos etc) que visem incentivar a alimentação saudável é uma forma de fazer com que os preços caiam, pressionando para que haja incentivo fiscais para os produtores e a instalação de mais feiras livres na cidade.

Se você é uma pessoa privilegiada com tempo para participar destes movimentos, então utilize-o;

8) Conheça: Apesar da proteína animal no Brasil ser relativamente barata, ela ainda tem valor mais alto do que os vegetais. Conhecendo combinações nutricionais balanceadas, é possível diminuir a carne sem afetar a qualidade da refeição. Por exemplos, alimentos verdes escuro, como brócolis e couve, são ricos em proteína e excelentes substitutos.

Antigamente, comer carne era coisa de rico, agora é o contrário. Esses valores mudam com o passar do tempo, e nem sempre tem relação com o preço dos produtos.

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O Armazém do Campo - RJ é meu mais novo lugar favorito. Além de alimentos oriundos de assentamentos da reforma agrária, possui atividades culturais.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Como conseguir tempo para cozinhar?

Um dos problemas enfrentados por aqueles que querem adquirir hábitos alimentares mais saudáveis é falta de tempo, mas existem algumas coisas que podemos fazer para resolver isso.

1) Diminua o tempo dedicado a atividades menos importantes: ninguém questiona a importância de uma boa alimentação, por isso, reveja seus hábitos para identificar aqueles que podem ser cortados ou, pelo menos, reduzidos. Televisão e internet, por exemplo;

2) Planeje seu cardápio: planejar as compras e o cardápio da semana ajuda a economizar tempo e a preparar refeições com mais celeridade. Também é possível congelar alimentos prontos para serem consumidos nos próximos dias;

3) Treine: conforme vamos cozinhando e desenvolvendo essa habilidade, vamos aprendendo a preparar refeições em menos tempo. Percebemos que para fazer um macarrão com molho de tomate leva quase o mesmo tempo do que preparar um prato ‘instantâneo’;

4) Divida as tarefas e envolva a família: toda a casa precisa estar envolvida, desde o planejamento, compras, preparação e limpeza da louça. Essas tarefas não podem ser responsabilidade de apenas uma pessoa.

Aproveite para transformar as refeições num momento divertido e de comunhão. As crianças podem participar também, sempre com atividades compatíveis com suas idades;

5) Participação política: o trânsito das grandes cidades está cada dia mais complicado e a população de menor renda é a mais prejudicada, levando duas ou mais horas no trajeto ao trabalho. Quem não precisa passar por isso é um privilegiado e uma das formas de interferir neste cenário e a participação em movimentos que visem melhorar os deslocamentos urbanos, pressionando o governo a investir em transporte público de qualidade.

Use seu privilégio para ajudar grupos vulneráveis. A solução não é individual e para atacar todos os problemas é preciso envolver e estar junto de outras pessoas, desde a família até grupos políticos ou instituições ligadas à alimentação ou mobilidade.

Se você tem tempo para participar desses grupos, pressionar políticos e realizar manifestações, utilize-o.

Dicas baseadas no Guia Alimentar Para a População Brasileira.

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Como já contei, um amigo que quer mudar seus hábitos alimentares pediu minha ajuda e temos realizados encontros semanais para cozinhar. No quarto encontro fizemos sushi. Seguem fotos.



terça-feira, 29 de outubro de 2019

O que a indústria nunca vai substituir

Na época da minha avó, para cozinhar um prato simples como um macarrão com molho de tomate e frango era necessário pegar a ave no quintal, matar, preparar a massa do macarrão, esticar e cortar, picar os tomates e cozinhar lentamente até virar molho.

De pouco tempo para cá, a indústria eliminou várias etapas. Preparar a mesma refeição requer apenas descongelar e assar o frango, esquentar o molho da caixinha e colocar o macarrão na água fervendo.

Agora, para muita gente, abrir uma embalagem deste mesmo prato e colocar no forno já é cozinhar. Certamente meus avós ficariam espantados se soubessem que em pouco tempo a galinha já viria limpa e cortada, o molho pronto dentro de um saquinho e o macarrão no ponto para ser fervido, assim como ficamos espantados quando alguém nos diz que esquentar uma refeição industrializada é cozinhar.
Cogumelos utilizados na receita
Mas qual é o limite? Quais são as ações básicas necessárias para podermos falar que cozinhamos nossa comida? Não existe resposta, e mesmo que houvesse ela mudaria com o tempo. Só uma coisa é certa: se alguém virar para mim e falar que cozinhou só colocando um congelado no forno vai levar um pescoção.

Independentemente disso, minha impressão é que a população tem passado cada vez menos tempo cozinhando, e esta também é a impressão de Michael Pollan em Cooked. Apesar do sucesso de dezenas de programas de televisão, como o Master Chef, e do surgimento de estrelas gastronômicas, a gente não coloca a mão na massa e vai deixado esta responsabilidade para a indústria, quem tem se esforçado muito para isso.

O resultado é o aumento do consumo dos ultraprocessados, ricos em sal, açúcar, gorduras e outros aditivos químicos que são comprovadamente prejudiciais à saúde. Mas mesmo que não fossem danosos (acredito que um dia não serão), existem outros motivos para a gente não ingerir esse tipo de composto que eles tentam chamar de comida.

A gente tem visto o que acontece quando empresas ficam ricas demais. Seus diretores e acionistas aferem milhões por ano enquanto, com a ajuda da tecnologia que vem substituindo o trabalho humano, seus funcionários recebem salários cada vez menores. Com o lobby que é feito junto a políticos, direitos trabalhistas e previdenciários são cortados e são criadas cada vez mais facilidades para exploração predatória da natureza. Comprar dessas empresas é deixá-las cada vez mais fortes e aumentar o abismo da desigualdade de social que está afundando o mundo.
Nosso espaguete ao pesto
Ao cozinhar mais e, consequentemente, ter que comprar ingredientes frescos, estamos fortalecendo pequenas famílias como as nossas. Estamos ajudando um pai a pagar um curso de inglês para seus filhos, comprar material escolar, roupas novas e quitar todos os boletos do mês. Vamos fazer nosso dinheiro circular entre a gente pois esta é apenas uma das formas de nos proteger do futuro da precarização do trabalho.

Esta decisão precisa ser colocada em prática em todo nosso consumo. Sou um apaixonado pelo meu Kindle, em segundos tenho na mão qualquer livro que quiser, mas não vou dar meu dinheiro para Jeff Bezos, um dos homens mais ricos do mundo e que explora seus funcionários. Vou comprar com o Ronaldo, livreiro dos bons e pai da Mila Flor. Ou na Livraria Folha Seca, com o Digão, um dos maiores bebedores de cerveja da Rua do Ouvidor.

Como já comentei aqui, estou me encontrando semanalmente com um amigo para cozinhar. Desta vez foi espaguete ao pesto e talharim com molho de cogumelos portobello. A massa foi feita do zero e só utilizamos ingredientes frescos ou minimamente processados. Derrubamos duas garrafas de vinho no processo e a vivência proporcionada pela experiência indústria nenhuma vai conseguir substituir.

sábado, 26 de outubro de 2019

Bolsonaro e o miojo

Um amigo está querendo mudar seus hábitos alimentares e me pediu ajuda. Desde então, temos realizado encontros semanais na minha casa para cozinhar.

Não sou especialista, mas preparo praticamente todas minhas refeições. Minha dieta é totalmente baseada nas recomendações do Guia Alimentar Para a População Brasileira, uma das publicações mais avançadas do mundo no quesito orientações alimentares à uma população.

Demorou alguns anos para ficar pronto porque contou com ampla participação popular, de entidades ligadas à nutrição, consultas públicas em todos os estados da federação, consulta on-line e amplo debate. O resultado é incrível, e uma das dicas é ensinar os outros a cozinhar, coisa que tenho feito.

Além das questões nutricionais, o Guia também tem preocupação em incentivar o consumo de alimentos socioambientalmente responsáveis e que contribuam com a distribuição de renda e defesa do patrimônio cultural do país. Basicamente, são quatro dicas:

- Fazer dos alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação, preferencialmente agroecológicos ou oriundos da agricultura familiar;

- Utilizar em pequenas quantidades os ingredientes culinários para temperar a comida, como o sal, açúcar, óleos e gorduras;

- Limitar o uso dos processados, utilizá-los apenas como complemento das receitas; e

- Evitar, sempre que possível, os ultraprocessados.

O Guia foi criado para pautar não apenas o consumo individual e familiar, mas também como orientação para profissionais de saúde, instituições e para criação de políticas públicas. Vai além das escolhas individuais, algumas mudanças no ambiente são necessárias e incentiva a participação popular para pressionar o governo na criação de políticas que promovam a alimentação saudável.


A obesidade é um problema sério no Brasil, com mais da metade da população com sobrepeso. São crescentes números de doenças crônicas como diabetes, doenças cardíacas, tanto em adultos quanto em crianças. Desta forma, é papel do governo incentivar práticas que melhorem a alimentação do brasileiro.

Quando o presidente se recusa a participar de um banquete oferecido pelo imperador do Japão, para não ter que experimentar a culinária local, e posta uma foto fazendo um miojo, ele não está violentando apenas a cultura do país onde está hospedado, mas também passando uma mensagem extremamente negativa ao seu povo que atualmente enfrenta sérios problemas de saúde.

Vocês não fazem ideia da minha indignação. A gente aqui, no cotidiano, no miudinho, tentando transformar esse país num lugar um pouquinho melhor, ver uma cena dessa é extremamente desanimador. Mas esses canalhas não vão me deixar doente, não vão me enfraquecer. Domingo tem feira, e macarrão caseiro com molho pesto e molho de cogumelos.

Avante.